Um golo abafado
... Bem pode um pobre adepto afónico, saltar e esbracejar, mas sem extravasar em som e berraria histérica o que lhe vai na alma, fica, como que um nó e uma espécie de anseio preso.
Para além do resultado, que pela primeira vez se saldou por uma vitória da nossa selecção na estreia de uma fase final de Euro, esta foi para mim uma sensação nova e digo-vos que é um aperto que nunca pensei que pudesse experimentar…
Quanto ao jogo propriamente dito, foi de facto um exemplo de querer, perseverança e qualidade, aquele que os nossos rapazes deram no passado sábado. Lutaram contra adversários e contra Alá que parecia proteger a baliza turca. Nunca desesperaram e continuaram sempre, de forma convincente, à procura do golo. Foi, de facto, das exibições mais conseguidas e equilibradas de que me lembro Portugal realizar. Que melhor desfecho poderíamos desejar para o jogo que aquele que Cristiano Ronaldo, João Moutinho e Raul Meireles nos deram ao colocar alguma justiça no placard, porque a vitória essa há muito que se antevia.
Por falar em João Moutinho, é deveras, incrível a capacidade técnica e sentido colectivo que o nosso “pequeno grande” capitão não cessa de nos demonstrar. O gesto da assistência para o segundo golo é simplesmente genial e revelador de todo o altruísmo de que ele é capaz. Cada vez mais um jogador que me enche por completo as medidas. A mim e, pelos vistos, a mais de meia Europa. O pior é que com tanto carácter e qualidade se torna mais difícil o Sporting conseguir segurar o nosso João, nem que seja por mais uma épocazita…
Por fim, não podia deixar passar esta crónica sem uma palavra para o Felipão. Mais uma vez, provou aos mais cépticos, as suas capacidades de liderança, que são mais ou menos consensuais, mas essencialmente, os conhecimentos e experiência técnica que inegavelmente possui. Eu sempre confiei nele e vinha afirmando que Scolari precisava de tempo para construir uma equipa e aquele espírito de grupo que ele tão bem consegue incutir. E que na fase final, a verdadeira selecção iria aparecer e iria render bem mais que na fase de qualificação. È típico nele e se repararmos para o seu passado, este sintoma parece repetir-se. Uma coisa é receber os seleccionados 2 ou 3 dias antes para efectuar um jogo, outra, bem diferente, é poder realizar um estágio de três semanas com todos os jogadores concentrados e com isso ter tempo para preparar, coordenar e aprofundar automatismos que tão importantes são neste futebol de alta competição, cada vez mais exigente. Os detractores aproveitaram um episódio infeliz para denegrir a sua imagem. Apesar de reprovável, essa atitude apenas veio confirmar que afinal o homem não é perfeito e que também é feito de carne, nervo e osso…



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